Esta entrevista foi readaptada do substack da Virtual Music e foi originalmente publicada em 31/10/2025
Surgida no cenário virtual em 2016 com o single Sibila, do álbum de estreia Melanina, ShaniQua Shonda se consolidou ao longo dos anos como uma das vozes mais marcantes e influentes da música virtual. Prestes a completar uma década de carreira, a artista baiana se prepara para lançar aquele que define como seu projeto mais ousado até hoje.
Dando sequência ao aclamado Afropatty, cuja primeira parte foi apresentada ao público no ano passado, ShaniQua retorna agora com a Parte 2, expandindo ainda mais seu universo criativo. Conhecida por sucessos como Maconheiro e Febre, a cantora também acumula colaborações de peso, tendo trabalhado com nomes lendários da música como Shakiria Gaga [Cleoputra] e Tanusha [Frenesi], além de colecionar diversos prêmios e milhões de cópias vendidas.
Nesta entrevista exclusiva à Virtual Music, ShaniQua fala sobre o novo capítulo de sua carreira, as inspirações por trás do Afropatty e os caminhos que a levaram a se tornar um dos grandes nomes da música virtual.
VM: Olá Shaniqua, obrigado por estar aqui. Afropatty foi definitivamente um grande salto em sua carreira, é o seu primeiro projeto desde “O Movimento” de 2021. Como você reflete esse novo momento de sua carreira?
ShaniQua: Definitivamente é um momento de muita tranquilidade enquanto ShaniQua Shonda. Tranquilidade, controle, criatividade e paixão pelo que venho fazendo. Nós [eu e minha equipe] fazemos o que queremos, quando queremos, da maneira que nos programamos, e tem sido muito satisfatório.
VM: Você esteve diretamente envolvida na produção e conceptualização artística de Afropatty, diferente de seus primeiros álbuns onde essa direção ficou na mão de outras pessoas. Qual a sensação de ter mais controle criativo sobre sua própria arte e como você sente que isso reflete para o futuro de sua carreira?
ShaniQua: Nos primeiros trabalhos antes de O Movimento, era feito o que era possível dentro das minha indicações. No Second Life [plataforma a qual ShaniQua faz parte] é necessário um alto investimento, e cada centavo era guardado para ser investido *risos*.
Em O Movimento pude experimentar mais sozinha, foi um aprendizado pra realmente saber lidar com a plataforma. Já no AfroPatty, estamos investindo muito do que aprendemos, o resultado é visível. Sinto que, tanto sonoramente - que sempre fizemos sem dedo de terceiros - quanto visualmente, estamos entregando um bom material. É nítido como isso impactará o futuro de ShaniQua Shonda, e estamos muito empolgados.
VM: Afropatty será um álbum que será entregue ao mundo aos poucos, em formas de EPs [ou partes]. A primeira parte saiu no ano passado, e agora a segunda vem aí, o que podemos esperar desse novo projeto? Como ele se complementará a parte 1?
ShaniQua: O segundo EP se chama AfroPatty: A Imersão No Luxo Urbano e será lançado ainda este ano. Serão 4 faixas, sendo uma delas um interlúdio. Todas as músicas são disstracks, e foram criadas durante a promoção de O Movimento. São a parte mais fashionista e mais ousada de todo o CD. O gênero central se mantém o rap e hip-hop, mas existe um mescla de synth, funk carioca e trap neste segmento do projeto. Não é comercial, mas é gostoso, se complementa no tema do álbum como um todo: Eu valho a pena, eu tenho o meu valor, meu lugar também é aqui e eu mereço ser respeitada.
VM: “O Gloss” se tornou um grande hit orgânico no ano passado, a música já é uma das mais adoradas do seu catálogo entre os fãs de música virtual. Você esperava essa recepção, não somente desta canção, mas também das outras divulgadas?
ShaniQua: Eu amoooo O Gloss. Nós já esperávamos que essa fosse ser a melhor música do projeto todo. A ideia era que essa seria a música chiclete do disco: engraçada, boa, envolvente e dançante sem ser gratuita. Torci para que fosse boa em números nas plataformas de streaming e isso aconteceu. Se mantém no topo das músicas mais populares há 1 ano no Spotify. As outras músicas do EP também se mantêm nas mais populares, além de baterem nossas metas em menos de 1 ano. É uma grande satisfação, estou muito feliz com os resultados.
VM: Shaniqua Shonda é uma referência na música, uma artista da velha guarda da música virtual, estreando a quase 10 anos atrás. Muita coisa mudou durante todo esse tempo, como você reflete o presente e o futuro da música virtual?
ShaniQua: Tenho muita curiosidade para saber como a música virtual seguirá ao longo dessa década. Muitas cantoras se aposentaram e venho fazendo referências a elas sempre que vejo oportunidade. Hate e ataques gratuitos continuam não importa o tempo, e eu apenas me divirto. O que eu posso dizer é que ShaniQua Shonda é um projeto sem intenção de acabar.
VM: Falando em ataques, recentemente as cantoras Dra Teemo Maraj e Zaruko Safra lançaram sua nova colaboração “CRISTAL”, onde explicitamente mencionam seu nome e declaram que você “não apoia artistas novos”, além de muitas outras ofensas a seu respeito, o que você tem a responder sobre isso?
ShaniQua: *Risos*. Eu não tinha conhecimento algum dessa música até agora, ouvi e achei horrível. Até para falar mal de alguém, você precisa saber desenvolver uma música, encaixar a voz no beat de maneira correta. Se essa música faz Louanna [Zaruko] e Rudmental [Dra. Teemo] felizes… Então apoio este material! Sempre enaltecerei a dupla “Pink e Cérebro" da música virtual. No mais, acho uma grande mentira [sobre não apoiar artistas], colaboro com quem me convida e participei de vários featurings ano passado.
VM: E já que estamos falando de colborações, Gabi [Rupturas], Shakiria Gaga [Natal Descontruidx], Louanna Grenadee [FAMA] e recentemente Scarlet Wintour [Rocket], você já participou com diversos artistas de renome da música virtual em seus respectivos projetos. Quais outras colaborações podemos esperar e que você desejaria no futuro?
ShaniQua: Existem artistas que ainda não tive a oportunidade de colaborar e tenho grande vontade, como: Beth Thunder, já colaboramos indiretamente, mas quero uma música em meu CD de fato, demorou muito, e está na hora de acontecer!
Tenho uma música que planejei a um tempo e quero oferecer a Viviane Schulz.
Sara Oddcast e eu tivemos algumas conversas, seria algo bem chique em uma colaboração nossa. Sempre quis colaborar com a Jamaica, desde o SexXxCrazed, mas vou ficar querendo. Seria incrível também um feat com a Ully Panther.
Colaborar novamente, adoraria algo com a Shakiria Gaga, nossos processos criativos sempre eram super divertidos, mas não sei se ela tem vontade de lançar música nova por enquanto. Maicow Reveley dispensa explicações, gosto muito dele, foi uma pessoa que me ajudou muito durante O Movimento. Porsha, que aliás, já temos algo vindo por aí! GA31 é um grande desejo, já conversamos sobre também. Tanusha e eu trabalhamos em Frenesi, adoraria algo com ela novamente, estou sempre cantarolando Limbo. E finalmente, KARMA, para servir um hit gospel sensual.
Há uma entrevista em que mencionei Rudmental como um desejo, acho que até teve menção a Zaruko, se não, foi em uma conversa privada, contrariando o equívoco delas de falar que não apoio artistas novatas. Posso dizer que hoje em dia esse desejo já não existe.
Há algumas cantoras que não mencionei porque já vou colaborar num projeto dentro do próprio AfroPatty e outras já temos músicas prontas e só faltam soltar, como Hazel Ferdinana.
VM: Você foi alvo de diversos ataques durante seu álbum “O Movimento” de 2021, um projeto que muitos fãs dizem ter sido injustiçado e não ter as promoções que mereciam. Para você hoje em dia, como reflete sobre os acontecimentos daquela época e o que talvez poderia ter sido diferente na sua opinião?
ShaniQua: Eu considero O Movimento um acontecimento interessante em tantos sentidos. Eu queria ter lançado previamente a Sem Controle, mas eu queria um álbum pop antes, então adiei e acabou se reformulando em um álbum “anti-hipocrisia do brasileiro”, digamos assim.
Na verdade o que não faltou foram promoções *risos*. Tiveram algumas lives, 4 clipes, bastante músicas e era sobre o que eu acreditava naquele momento. Não faria nada diferente, mesmo que me atacassem de novo. Ainda que seja um álbum chato *risos*, tem músicas muito boas: Minha Trança, Me Poupe Viu Michele e algumas outras, que não foram divulgadas mas eu ainda irei lançar em algum momento. Chamam-se Racefluid com a Hazel Ferdinana, e Conservadia, que eu adoro. Os ataque foram gratuitos sim, mas foram um empurrão para eu ser quem sou hoje, brigadaaaa :*
VM: Recentemente você publicou em suas redes sociais um medley de Afropatty, uma performance muito incrível mas que aparentemente foi “barrada” de ser exibida no VMA promovido pela iVerse, você pode nos contar mais sobre as inspirações para a performance e o porquê você ser proibida de se apresentar na premiação?
ShaniQua: Pensamos em fazer um medley com todas as novas faixas porque, se focássemos em singles para as lives, naturalmente alguma música ficaria de fora e eu quero uma oportunidade de que todas aparecessem.
A performance foi gravada em Março, quando a premiação aconteceria inicialmente, inclusive onde eu fui indicada em várias categorias. Infelizmente não aconteceu na data estipulada. Quando a premiação foi remarcada, em me prontifiquei a entregar o que foi combinado com bastante cuidado e empenho, para que somasse a premiação de quem a estava organizando. A Rudmental [organizadora do evento], todavia, me deu uma resposta bastante atravessada. Disse que eu só apareço quando é conveniente e de quebra me chamou de analfabeta funcional.
Acho estranho ela dizer isso, porque qualquer um aparece quando lhe é conveniente, afinal, todos tem interesse em divulgar nossos materiais *risos*. Honestamente, não dependo do metaverso [música virtual] para nada, então para mim é indiferente. Meu público não é daqui. Eu entendo que isso aqui é a vida dela, ela passa 24 horas por dia aqui e não toca no gramado fora de casa, mas eu não sou assim.
Considerei que seria uma boa maneira de retornar, com uma performance, já que os ataques a mim tinham acabado.
De qualquer maneira, respondi a altura porque eu sou uma pessoa pacífica com todos, mas tudo tem limite. Resta a ela fazer músicas medíocres para chamar a minha atenção, que aliás, não fosse esta entrevista, nem saberia da existência.
As inspirações da performances foram principalmente os anos 2000, algo com dinamismo e que trouxesse a tona a vibe deste período. Estou super animada para as próximas, será conveniente com certeza.
VM: Nos bastidores existem alguns boatos que você planeja sua primeira linha oficial de maquiagens, você poderia nos contar mais sobre esse projeto?
ShaniQua: Siiiim! Depois de uns puxões de orelha de colegas do Meta, posso confirmar que vou lançar minha marca de maquiagens. Ela se chamará QUINTESSENCE e já está tudo pronto. Só preciso me organizar melhor para conseguir administrar tudo. Eu acredito que entre Novembro e Janeiro já poderemos iniciar os lançamentos da marca, e será incrível. Aprendi muito nesse processo, estou ansiosa para divulgar esse projeto com vocês.
Vm: ShaniQua, muito obrigado novamente por aceitar participar desta entrevista com a VM. Para finalizar queremos saber o que podemos esperar mais no futuro, quais novidades os Shaniquers devem antecipar?
ShaniQua: Podem esperar MUITAS músicas, álbuns. Eu estou super empolgada! Recentemente, O Gloss se tornou trilha sonora de uma postagem do museu CCBB-SP (Centro Cultural do Banco do Brasil). Estamos conseguindo atingir lugares e pessoas que não imaginávamos. A algumas semanas o conceito de um novo álbum foi desenvolvido, está muito interessante e penso até em adiantar esse projeto no lugar do que seria o sucessor de AfroPatty. Acho que assim será.
Tenho mais 3 álbuns compostos, estética e faixas definidas. Um deles já está totalmente produzido.
Alguns outros EPs serão lançados também, além da ideia de relançar todos os álbuns antigos com faixas exclusivas. Também pretendo lançar um projeto de covers de músicas de outros artistas da música virtual e do mundo real.
O futuro para mim é lindo, ele está sorrindo para mim e eu de volta! Amo demais!
Obrigada Virtual Music pelo convite. Eu tenho o grande desejo que todos os artistas virtuais criem sua arte sem qualquer tipo de antagonismo, e que o Lindenpop ressurja com novas personalidades!
AfroPatty: A Imersão no Luxo Urbano estará disponível nesse sábado, 1/11, em todas as plataformas digitais. Não percam!